Empresas que deixam a adequação fiscal para o fim do prazo costumam descobrir os riscos quando eles já estão impactando a rotina: nota rejeitada, faturamento parado, cliente esperando.
Existe um padrão que se repete em praticamente toda mudança fiscal relevante: a empresa acompanha as notícias, entende que algo vai mudar, arquiva o assunto como “resolver depois” e só descobre o tamanho do problema quando a primeira nota fiscal é rejeitada pela SEFAZ.
O detalhe é que a rejeição não é um problema fiscal isolado. Ela é o ponto em que uma falha de configuração vira uma parada operacional. Sem documento autorizado, não há expedição. Sem expedição, não há entrega. Sem entrega, há cliente cobrando e prazo estourando. Um campo mal parametrizado no XML consegue derrubar toda uma cadeia que depende de integração, automação e fluxo contínuo de informação.
O prazo está aqui. Para empresas do regime normal (Lucro Real e Presumido), o preenchimento dos campos de IBS e CBS nos documentos fiscais passa a ser obrigatório em ambiente de produção a partir de 3 de agosto de 2026. O ambiente de homologação está disponível para testes desde 1º de julho.
2026 é o ano de transição da Reforma Tributária. CBS e IBS aparecem nos documentos fiscais com alíquotas de teste, 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS e sem compor o valor total da operação. O impacto financeiro é propositalmente baixo. O impacto sistêmico, não.
A lógica do período é clara: usar o ano para validar sistemas, apurações e integrações antes da vigência plena da CBS em 2027, quando as alíquotas definitivas entram em vigor e substituem PIS e Cofins. Quem trata 2026 como ensaio geral chega em 2027 com processo rodando. Quem trata como formalidade chega com o problema e a fatura ao mesmo tempo.
Há ainda um período de dispensa de penalidades para inconsistências no preenchimento das novas obrigações acessórias, desde que o contribuinte atue de boa-fé. Mas atenção a uma distinção importante: a dispensa é de multa, não de rejeição. A nota que sai errada continua sendo recusada pelo ambiente autorizador, e sua operação continua parada.
O novo layout definido pela Nota Técnica 2025.002 acrescenta campos que precisam ser preenchidos item a item, entre eles:
As regras de validação passam a checar presença e consistência desses campos. Se o grupo estiver ausente ou incoerente, a nota é rejeitada. E isso não vale só para a NF-e: NFC-e, CT-e e NFS-e também entram no escopo, conforme suas notas técnicas.
Na maioria dos casos, o problema não está na versão do sistema, está no que foi configurado dentro dele ao longo dos anos. Os pontos mais críticos:
Itens com NCM desatualizado, classificação genérica ou herdada de um cadastro antigo não têm como receber o código de classificação tributária correto. É o ponto de origem da maior parte das rejeições.
Exceções criadas para atender a um cliente ou a uma operação específica raramente estão documentadas. Elas convivem bem com o layout antigo e quebram com o novo.
Quando o ERP conversa com e-commerce, WMS, PDV ou middleware de terceiros, cada elo precisa transportar os novos campos. Basta um sistema da cadeia não repassar a informação para o XML sair incompleto.
Sistema atualizado com time que emite nota despreparado gera outro tipo de gargalo: ninguém sabe interpretar o código da rejeição, exatamente nas horas em que o faturamento está parado.
| Etapa | O que fazer |
|---|---|
| 1. Diagnóstico | Levantar versão do sistema, integrações ativas e volume de itens no cadastro |
| 2. Saneamento | Revisar NCM, classificação fiscal e regras de exceção por item |
| 3. Homologação | Emitir e validar XMLs no ambiente de testes, cobrindo os cenários reais de venda |
| 4. Integrações | Testar o fluxo ponta a ponta, não apenas o TouchComp ERP isolado |
| 5. Treinamento | Capacitar fiscal, faturamento e expedição para reconhecer e tratar rejeições |
Note que nenhuma dessas etapas é rápida se o cadastro estiver bagunçado, e é justamente por isso que elas não cabem na semana anterior ao prazo.
Acompanhar a legislação é o mínimo. O que separa a empresa que atravessa a transição sem sobressalto daquela que passa agosto apagando incêndio é outra coisa: garantir que sistemas, processos e equipes estejam preparados para operar sem interrupção.
Quem se antecipa ganha previsibilidade e segurança. Quem espera, corre atrás do prejuízo, e o prejuízo, aqui, raramente é a multa. É o pedido que não saiu.